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Geral · 6 min de leitura

Ouvir o corpo: porque procuramos a raiz

Só conseguimos curar quando ouvimos o que o corpo está a comunicar. Explicamos o que quer dizer procurar a raiz de uma queixa e como decorre uma primeira consulta de terapia integrativa.

Joana Alves
Fisioterapeuta · Osteopata · Acupuntora ·

Há queixas que nos acompanham durante anos. Uma dor que vai e volta, perdas de urina que fomos aprendendo a disfarçar, um desconforto que já faz parte da rotina. Tratamos o sintoma, alivia durante uns tempos, e depois volta.

Na Raiz da Cura partimos de uma ideia simples: só conseguimos curar quando ouvimos o que o corpo está a comunicar. Um sintoma não é apenas um problema a calar. É uma mensagem. E, muitas vezes, a origem não está exatamente onde dói.

O que quer dizer «procurar a raiz»

Imagine uma dor lombar no fim da gravidez. Pode vir das costas, claro. Mas também pode estar ligada à forma como a bacia se adaptou ao peso da barriga, à respiração, à tensão do pavimento pélvico, à posição em que dorme ou a uma cicatriz antiga que limita o movimento.

Procurar a raiz é fazer perguntas antes de dar respostas. É olhar para a história da mulher, para as fases que já viveu e para a forma como o corpo foi compensando ao longo do tempo. É perceber que a bexiga, o útero, o intestino, a respiração, a postura e as emoções não vivem em compartimentos separados.

Isto não quer dizer que haja sempre uma causa escondida e misteriosa. Às vezes a explicação é simples. Mas só a encontramos se tivermos tempo para escutar.

O corpo da mulher em todas as fases

O corpo da mulher muda muito ao longo da vida, e cada fase traz as suas próprias necessidades. Acompanhamos:

  • Bebés e crianças, incluindo dificuldades na amamentação e desconfortos dos primeiros meses.
  • Ciclo e conceção: dores menstruais, dor pélvica, o desejo de engravidar.
  • Gravidez: dor lombar e pélvica, preparação do corpo para o parto.
  • Pós-parto: recuperação do pavimento pélvico, cicatrizes, regresso ao movimento.
  • Menopausa: as mudanças nos tecidos, na bexiga e na vida íntima.

Gostamos de pensar nestas fases como as fases da lua. Cada uma tem a sua luz e o seu tempo, e nenhuma é menos importante do que a outra.

As ferramentas que usamos

A abordagem integrativa junta diferentes ferramentas, escolhidas de acordo com cada pessoa:

  • Fisioterapia pélvica: avaliação e reeducação dos músculos do pavimento pélvico, da respiração e da postura.
  • Osteopatia visceral: trabalho manual suave sobre a mobilidade dos órgãos do abdómen e da pélvis.
  • Osteopatia sacro-craniana: toques muito leves na cabeça, na coluna e no sacro, procurados por muitas pessoas para relaxamento e conforto.
  • Acupuntura: uma abordagem que algumas mulheres escolhem como complemento em várias fases da vida.
  • Osteopatia pediátrica e apoio à amamentação, para os bebés e as suas mães.

Nem todas as ferramentas servem para todas as pessoas. Explicamos sempre o que propomos e porquê, e a decisão é sua.

Como decorre uma primeira consulta

Sabemos que marcar uma primeira consulta pode gerar alguma ansiedade, sobretudo quando o tema é íntimo. Por isso, explicamos o que acontece.

Começamos por conversar. Pedimos-lhe que nos conte o que a traz, desde quando, o que alivia e o que piora. Perguntamos pela sua história de saúde, pelos partos, pelo ciclo, pelo sono, pelo intestino, pelo dia a dia. Algumas perguntas podem parecer não ter relação com a queixa, mas ajudam-nos a ver o quadro completo.

Depois, observamos. Conforme o caso, avaliamos a postura, a respiração, a mobilidade, o abdómen e, quando faz sentido, o pavimento pélvico. Qualquer avaliação íntima é sempre explicada antes, feita apenas com o seu consentimento e pode ser interrompida a qualquer momento. Se não se sentir preparada, há muito que podemos fazer sem ela.

Explicamos o que encontrámos. Em linguagem clara, sem jargão. Partilhamos as nossas hipóteses sobre o que pode estar na raiz e o que propomos.

Começamos o tratamento. Muitas vezes, a primeira sessão já inclui algum trabalho manual ou exercícios simples para levar para casa.

Combinamos os próximos passos. Não damos números fixos de sessões. Vamos ajustando o plano à forma como o seu corpo responde.

O nosso lugar ao lado do seu médico

A terapia integrativa não substitui a medicina. O nosso trabalho complementa o acompanhamento do seu ginecologista, obstetra, pediatra ou médico de família. Quando algo nos parece precisar de avaliação médica, dizemos-lho com clareza e encaminhamos.

Também não prometemos curas. Muitas mulheres sentem melhoria, umas mais depressa, outras com mais tempo. O que podemos prometer é escuta, atenção e um plano pensado para si.

Quando procurar ajuda

Pode procurar-nos quando uma queixa persiste, quando sente que «já tentou tudo» ou quando quer simplesmente preparar o corpo para uma nova fase, como uma gravidez ou um parto.

Mas há sinais que pedem o médico primeiro, e com rapidez: hemorragia, febre, dor súbita e intensa, perda de peso sem explicação, sangramento depois da menopausa ou, no caso dos bebés, recusa alimentar, febre ou sonolência fora do normal. Nestes casos, procure o seu médico ou a urgência.

Um convite

Se chegou até aqui, talvez haja alguma coisa que o seu corpo lhe esteja a tentar dizer. Não tem de saber exatamente o quê. Basta dar o primeiro passo.

Envie-nos uma mensagem pelo WhatsApp. Conte-nos um pouco do que sente e encontramos juntas o melhor momento para uma primeira consulta.

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