O que muda no corpo nesta fase
O nascimento é a primeira grande viagem do corpo. Durante o parto, a cabeça e o pescoço do bebé adaptam-se a um espaço estreito. Nas cesarianas, a saída é rápida e sem essa compressão gradual. Em ambos os casos, o corpo do bebé faz um enorme esforço de adaptação nas primeiras semanas: respirar, mamar, digerir, dormir, organizar-se.
Na maioria dos bebés, tudo se ajusta sozinho. Noutros, ficam pequenas tensões que se notam no dia a dia: um bebé que só mama bem de um lado, que arqueia as costas ao colo, que chora muito ao fim do dia ou que roda a cabeça sempre para a mesma direção.
São queixas comuns, mas não são normais no sentido de «é assim e pronto». Merecem ser ouvidas.
O que pode estar na raiz
Quando um bebé tem dificuldade em mamar, o problema nem sempre está na boca. Pode haver tensão no pescoço que torna desconfortável rodar a cabeça para um dos lados, rigidez na mandíbula, uma língua com pouca mobilidade ou uma postura que se fechou durante a gravidez, sobretudo em gestações com pouco espaço ou com o bebé muito encaixado.
O choro intenso e o desconforto digestivo têm muitas causas possíveis: imaturidade normal do intestino, técnica de mamada, ar engolido, alergias ou intolerâncias, refluxo. Por isso, a avaliação começa sempre pela história completa: gravidez, parto, alimentação, sono, fezes e o que a mãe observa.
Olhar para a raiz também é olhar para a mãe. Uma mamada dolorosa, uma recuperação difícil ou o cansaço acumulado fazem parte do mesmo quadro.
Como podemos acompanhar
A consulta é calma e feita ao ritmo do bebé. Pode ser no colo da mãe, na marquesa ou durante uma mamada.
- Osteopatia pediátrica: toques muito suaves para avaliar e libertar tensões no crânio, no pescoço, na coluna, no tórax e no abdómen.
- Apoio à amamentação: observação da mamada, da postura da mãe e do bebé, da mobilidade da mandíbula e da língua, com sugestões práticas de posições e de conforto. Este trabalho complementa o de parteiras, enfermeiras especialistas, conselheiras em aleitamento materno e pediatras.
- Abordagem sacro-craniana: técnicas de toque leve que muitos pais descrevem como tranquilizadoras para o bebé. A evidência científica sobre esta abordagem é limitada e é apresentada como tal.
Mostramos também aos pais o que podem fazer em casa: posições, tummy time (tempo de barriga para baixo, acordado e vigiado) e pequenos gestos de conforto.
A suspeita de freio lingual curto é avaliada e confirmada pelo médico (pediatra, otorrinolaringologista ou cirurgião pediátrico), que decide se há indicação para frenotomia. O nosso papel é preparar e acompanhar o corpo do bebé antes e depois, em articulação com a equipa.
Quando procurar o médico
Procure o pediatra ou a urgência pediátrica, sem esperar pela consulta, se o bebé:
- recusa mamar ou come muito menos do que o habitual;
- tem febre (sobretudo antes dos 3 meses), está mole, sonolento ou difícil de acordar;
- vomita com força, em jato, ou o vómito tem sangue ou cor verde;
- tem fezes com sangue, molha poucas fraldas ou não ganha peso;
- tem dificuldade em respirar, fica com os lábios arroxeados ou tem um choro diferente e inconsolável;
- tem a fontanela («moleirinha») abaulada ou muito afundada.
As nossas terapias complementam o acompanhamento do pediatra e nunca o substituem.