O que muda no corpo nesta fase
Depois do parto, o corpo tem um caminho longo pela frente. O útero volta ao seu tamanho, os abdominais aproximam-se aos poucos, o pavimento pélvico recupera do esticamento ou de um rasgão, a cicatriz cicatriza por dentro e por fora. Ao mesmo tempo, as hormonas mudam de forma brusca, o sono é interrompido e o corpo passa a alimentar outro ser.
A consulta das seis semanas é um marco importante, mas não significa que a recuperação terminou. Em alguns países, como a França, a reeducação do pavimento pélvico depois do parto faz parte dos cuidados de rotina. Perder urina ao saltar, ter dor nas relações meses depois ou sentir peso na vagina ao fim do dia são situações comuns, mas não são normais.
O que pode estar na raiz
O parto vaginal pode esticar ou lesionar os músculos e os nervos do períneo. Uma cesariana é uma cirurgia abdominal que atravessa várias camadas de tecido, e a cicatriz pode ficar aderente e influenciar a bexiga, o intestino e a postura. Em ambos os casos, a forma como respiramos, pegamos no bebé, amamentamos e voltamos ao exercício pesa na recuperação.
A separação dos abdominais (diástase) não se resolve apenas com abdominais clássicos. Depende da pressão dentro do abdómen, da respiração e da coordenação com o pavimento pélvico. Olhar para a raiz é olhar para este sistema inteiro.
Como podemos acompanhar
- Fisioterapia pélvica: a partir da consulta das seis semanas (ou antes, se houver queixas), fazemos uma avaliação completa: entrevista sobre o parto, observação da postura e da respiração, medição da diástase, avaliação da cicatriz e do períneo e, com o seu consentimento, avaliação interna vaginal da força, do tónus e do suporte dos órgãos. O plano pode incluir exercício de pavimento pélvico com biofeedback, terapia manual da cicatriz, treino abdominal adaptado e um regresso gradual à corrida, ao ginásio e à vida sexual.
- Osteopatia visceral: trabalho suave sobre o abdómen e as cicatrizes para recuperar a mobilidade dos tecidos e dos órgãos.
- Amamentação: ajudamos a encontrar posições confortáveis, aliviamos tensões nos ombros, no pescoço e nas costas da mãe e avaliamos o bebé, em articulação com a parteira, a conselheira em aleitamento e o pediatra.
- Osteopatia pediátrica: o bebé pode ser visto na mesma consulta.
- Acupuntura: pode ser um apoio no cansaço, na dor e no bem-estar geral.
Pode trazer o bebé. As consultas fazem-se ao ritmo dele.
Quando procurar o médico
Recorra à urgência ou ao seu médico de imediato se tiver:
- hemorragia que aumenta, encher um penso por hora ou coágulos grandes;
- febre, arrepios ou corrimento com mau cheiro;
- cicatriz quente, vermelha, com pus ou a abrir;
- dor, calor ou inchaço numa perna, falta de ar ou dor no peito;
- dor de cabeça intensa ou alterações da visão;
- mama vermelha, quente e dolorosa com febre;
- perda de fezes que não consegue controlar;
- tristeza profunda, ansiedade constante ou pensamentos de se magoar a si ou ao bebé. Peça ajuda: não está sozinha.