O que é
Os órgãos do abdómen e da pelve não estão soltos. O útero, os ovários, a bexiga e o intestino estão ligados entre si e às paredes do corpo por ligamentos, membranas e fáscias. A cada respiração, o diafragma desce e os órgãos deslizam ligeiramente uns sobre os outros. Quando nos dobramos ou rodamos, também se movem.
A osteopatia visceral parte desta observação. Cirurgias, cicatrizes, inflamações, infeções, partos ou obstipação crónica podem tornar estes tecidos mais rígidos ou aderentes. Isso pode alterar a forma como o corpo se move e contribuir para dor, tensão ou desconforto noutras zonas, como a coluna lombar ou a bacia.
É uma abordagem manual, suave e sem instrumentos. Olha para os órgãos como parte do corpo inteiro e não como peças isoladas.
Como funciona uma sessão
Depois da conversa inicial, observamos a postura, a respiração e a forma como a coluna, as costelas e a bacia se movem. Deitada na marquesa, avaliamos o abdómen com as mãos, procurando zonas de tensão, sensibilidade ou menor mobilidade.
As técnicas são lentas e de pressão moderada. Podem incluir mobilizações suaves do abdómen, trabalho sobre cicatrizes, técnicas sobre o diafragma e as costelas e mobilização da coluna e da bacia. Muitas vezes, combinamos este trabalho com exercícios de respiração ou com fisioterapia pélvica na mesma sessão.
Não deve ser doloroso. Se alguma zona estiver sensível, ajustamos a pressão. Diga-nos sempre o que sente.
Em que situações pode ajudar
Muitas mulheres procuram a osteopatia visceral para a dor pélvica, as dores menstruais, o inchaço e a obstipação, ou para cicatrizes de cesariana e de outras cirurgias que repuxam ou incomodam. Pode ser útil também depois do parto, para recuperar a mobilidade abdominal, e na menopausa.
Convém dizê-lo com clareza: a investigação científica sobre a osteopatia visceral ainda é limitada e os estudos existentes são pequenos. Muitas mulheres sentem alívio, e é isso que procuramos, mas não prometemos resultados. É um complemento ao acompanhamento médico e à fisioterapia pélvica, e não um substituto.
Na gravidez, as técnicas são adaptadas, feitas em posições confortáveis e sempre respeitando o espaço do bebé.
O que esperar e quantas sessões
Depois de uma sessão, pode sentir o abdómen mais leve, mais vontade de ir à casa de banho ou algum cansaço. É habitual. O número de sessões depende da queixa e da resposta do corpo. Em geral, as sessões são mais espaçadas do que na fisioterapia, para dar tempo aos tecidos de se adaptarem.
Perguntas frequentes
É doloroso?
Não deve ser. A pressão é ajustada a si e pode pedir para parar a qualquer momento.
Preciso de ir em jejum?
Não. Evite apenas uma refeição muito pesada antes da sessão.
Pode substituir a cirurgia ou a medicação?
Não. Se o seu médico indicou uma cirurgia ou um tratamento, a osteopatia pode complementá-lo, mas não o substitui.
Quando procurar o médico
Procure o médico se tiver dor abdominal súbita e intensa, febre, vómitos persistentes, sangue nas fezes, perda de peso sem explicação ou alteração recente e persistente do funcionamento do intestino.